Sexta-feira, 10 de Julho de 2009
Quarta-feira, 1 de Julho de 2009
Página 6
Quantas vezes chorou encostada na parede do banheiro? - Setenciada pelo inconformismo de não saber qual atitude tomar após embaraçosos acontecimentos.
- Sabia que ela nunca mais quis sair sozinha?
- Como assim?
A conversa das duas foi interrompida abruptamente pela quantidade de envelopes deixados abaixo da porta.
- Não vai pegar?
- Não.
- Deixa que eu pego!
- Já disse, não quero. - Isso é passado.
Agora o presente conjuga o passado, mas ela continua a chorar encostada em outros lugares, até mesmo em bibliotecas, padecendo sobre romances juvenis.
Ainda não descobriu se prefere narrativa em primeira ou terceira pessoa, resta os outros para contar.
- Sabia que ela nunca mais quis sair sozinha?
- Como assim?
A conversa das duas foi interrompida abruptamente pela quantidade de envelopes deixados abaixo da porta.
- Não vai pegar?
- Não.
- Deixa que eu pego!
- Já disse, não quero. - Isso é passado.
Agora o presente conjuga o passado, mas ela continua a chorar encostada em outros lugares, até mesmo em bibliotecas, padecendo sobre romances juvenis.
Ainda não descobriu se prefere narrativa em primeira ou terceira pessoa, resta os outros para contar.
Quinta-feira, 25 de Junho de 2009
Cotidiano
Vive com dores de cabeça - interrompe o silêncio da sala e sem pedir desculpas sai.
Outro dia foi vista - com seus óculos escuros na esquina. Fumava divinamente.
Outro dia foi vista - com seus óculos escuros na esquina. Fumava divinamente.
Segunda-feira, 15 de Junho de 2009
(en)Cena
Viu anúncios de propaganda de refrigerante no intervalo da novela. Dançou como estivesse em um filme parisiense anos 40. Fugiu para a estrada, não passou batom, esqueceu a maquiagem sobre a cama na casa da mãe. Olhou no espelho – viu a imagem de uma propaganda de refrigerante – não era ela, com ela, sobre ela.
Desligou a televisão, jogou o vinil no cesto de lixo reciclável, da estrada, passou pelo lado – caminho alternativo para não precisar pagar pedágio. Lábios sem cor, maquiagem sem cor, unhas sem cor, roupas com cor. Filme brasileiro, por favor, take 2, ano 2000, sobrou ela.
Desligou a televisão, jogou o vinil no cesto de lixo reciclável, da estrada, passou pelo lado – caminho alternativo para não precisar pagar pedágio. Lábios sem cor, maquiagem sem cor, unhas sem cor, roupas com cor. Filme brasileiro, por favor, take 2, ano 2000, sobrou ela.
Sábado, 6 de Junho de 2009
Ofusco
As vezes não sabe em que rua andar. Outras, sai para vagar em algum lugar. Mas é na rua dos sonhos que continua a lembrar.
- Todos olham, alguns até demais.
Você encontra nas noticias de jornais, até mesmo as ruas que não lembra mais. No inverno, volte, mas se agasalhe para não esquecer a primavera.
- A sombra celebra o frio, mas ainda prefiro assim, sem guarda-chuva sobre mim.
As vezes preciso voltar para não escutar mais isso.
- Todos olham, alguns até demais.
Você encontra nas noticias de jornais, até mesmo as ruas que não lembra mais. No inverno, volte, mas se agasalhe para não esquecer a primavera.
- A sombra celebra o frio, mas ainda prefiro assim, sem guarda-chuva sobre mim.
As vezes preciso voltar para não escutar mais isso.
Sábado, 9 de Maio de 2009
sós intransitivos
- Depois de madrugadas a fio, na esperança do telefone tocar, não resisiti e decidi dormir.
Porém, antes tive que cobrir o gato que estava espreguiçado na esperança de ver sobre seus pêlos o velho e furado cobertor azul. - Antes era o telefone, agora por mais que tenha dormido um pouco, olhá-lo coberto me joga na lona, do sentimento doce que chega a mim, com aroma de chocolate branco. Daqui a pouco ele vai acordar, querer leite, vou precisar dormir para não lembrar a gente.
Domingo, 1 de Março de 2009
Pedras no rim
Segurou a caneta, como quem fizesse uma prece, olhou para o teto - começou a escrever. Não usou vírgulas, nem tampouco, pontos finais - os finais nunca são iguais para precisar de pontos finais - pensou.
A respiração ofegante ficava, a medida que a caligrafia preenchia uma linha mais. O suor começou a escorrer pela testa e desceu até seu olho esquerdo - castanho. Piscava mais rápido, que escrevia. Sentia-se melhor, quando percebeu já tinha quase uma página inteira - todas sem vírgulas. Não entregou a carta à quem desejava.
Estes dias voltou a segurar a caneta - o suor na mão a deixou apenas começar - soletrando:
- Duas letras para escrever o seu nome, muitas outra letras para esquecê-lo.
Começou a usar vírgulas, pontos finais, escrever seu sobrenome - sem precisar respirar.
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