quarta-feira, 15 de julho de 2009

A palavra

O amor foi sentido entre os braços, com abraços molhados. Sentindo uma nervosa e intragável
dor estomacal, resolveu se retirar do quarto. Olhando para o relógio, percebeu quantas horas estava ilhado sobre aqueles lençóis. Com um sopro de lembrança - voltou a olhar as janelas do passado.
Ao jeito de tudo que acontece sem explicação, não quis mais retornar ao passado, de certa forma, insistente em querer dialogar.
Voltou para a cama, ela dormia anestesiada, não poderia perceber, ele folheava um dicionário.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Itinerário



Quando chegamos em outra cidade, erramos endereços - além de muitas outras coisas.

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Página 6

Quantas vezes chorou encostada na parede do banheiro? - Setenciada pelo inconformismo de não saber qual atitude tomar após embaraçosos acontecimentos.

- Sabia que ela nunca mais quis sair sozinha?
- Como assim?

A conversa das duas foi interrompida abruptamente pela quantidade de envelopes deixados abaixo da porta.

- Não vai pegar?
- Não.
- Deixa que eu pego!
- Já disse, não quero. - Isso é passado.

Agora o presente conjuga o passado, mas ela continua a chorar encostada em outros lugares, até mesmo em bibliotecas, padecendo sobre romances juvenis.
Ainda não descobriu se prefere narrativa em primeira ou terceira pessoa, resta os outros para contar.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Cotidiano

Vive com dores de cabeça - interrompe o silêncio da sala e sem pedir desculpas sai.
Outro dia foi vista - com seus óculos escuros na esquina. Fumava divinamente.

segunda-feira, 15 de junho de 2009

(en)Cena

Viu anúncios de propaganda de refrigerante no intervalo da novela. Dançou como estivesse em um filme parisiense anos 40. Fugiu para a estrada, não passou batom, esqueceu a maquiagem sobre a cama na casa da mãe. Olhou no espelho – viu a imagem de uma propaganda de refrigerante – não era ela, com ela, sobre ela.
Desligou a televisão, jogou o vinil no cesto de lixo reciclável, da estrada, passou pelo lado – caminho alternativo para não precisar pagar pedágio. Lábios sem cor, maquiagem sem cor, unhas sem cor, roupas com cor. Filme brasileiro, por favor, take 2, ano 2000, sobrou ela.

sábado, 6 de junho de 2009

Ofusco

As vezes não sabe em que rua andar. Outras, sai para vagar em algum lugar. Mas é na rua dos sonhos que continua a lembrar.

- Todos olham, alguns até demais.

Você encontra nas noticias de jornais, até mesmo as ruas que não lembra mais. No inverno, volte, mas se agasalhe para não esquecer a primavera.

- A sombra celebra o frio, mas ainda prefiro assim, sem guarda-chuva sobre mim.

As vezes preciso voltar para não escutar mais isso.

sábado, 9 de maio de 2009

sós intransitivos




- Depois de madrugadas a fio, na esperança do telefone tocar, não resisiti e decidi dormir.
Porém, antes tive que cobrir o gato que estava espreguiçado na esperança de ver sobre seus pêlos o velho e furado cobertor azul. - Antes era o telefone, agora por mais que tenha dormido um pouco, olhá-lo coberto me joga na lona, do sentimento doce que chega a mim, com aroma de chocolate branco. Daqui a pouco ele vai acordar, querer leite, vou precisar dormir para não lembrar a gente.